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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O pó dos sapatos

Ele era pai de três filhos. Pai e Mãe. Sem dormir durante três anos, trabalhava todos os dias e noites. Os cochilos, que tirava, eram o único descanso de todos os dias. Sem folgas, nem feriados, Luizinho trabalhava incansavelmente. No rosto o sorriso largo, que os olhos claros enfatizavam com o brilho da alegria em ver os filhos bem vestidos indo à escola . Segurança, pedreiro, marceneiro e tudo aquilo que se pode imaginar. O homem do boné verde e corpo atlético, era amigo de todos. Dos drogados e da “mais boa” gente. Dos 'flanelinhas' à classe mais paupérrima. Ah! Luizinho, homem de braços fortes e fé mais forte ainda. Somente Deus sabe do esforço incessante desse moço para cuidar dos filhos - que ele tanto amava -. Na pequena cidade no sul do estado, todos o conhecia. Fazia sol ou chuva, lá estava Luizinho. Trabalhando para ganhar o pão de cada dia, até que certo dia a morte lembrou-se do doce homem, que enxergava a vida verde esperança como a cor dos seus olhos. E o rapaz, que há três anos não dormia encontrou o descanso eterno naquele mesmo cemitério, em que ele próprio muitas vezes vigiou e jardinou. A terra comeu o corpo de Luizinho, junto com suas roupas, seu dinheiro e tudo aquilo conquistado durante anos. Ele se fora e deixara no mundo os três filhos criados. E mesmo sabendo de toda história do valente sonhador, até o pó dos sapatos eles bateram ao deixar sua carne enterrada.

Por: Mariane N. Souza
Foto: Google Images

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