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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nos passos da Mulata

Pela melodia das notas
Vai ela a requebrar
Sua beleza encanta todos
Que a observa dançar.

Seus cabelos negros
Voavam pelo ar
No balanço do som
Que não parava de tocar.

Os passos sincronizados
Envolvia-os a cada tamborilar
E a moça não se intimidava
Continuava a bailar.

O gingado adocicado
Esquecia o que já acontecera
No passado africano
Da negra brasileira.

Por Mariane N. Souza
Foto: Google Imagens

sábado, 15 de novembro de 2014

Era uma vez um "Lar"

Era um espaço, visto como um depósito de idosos, onde todos que por lá passavam olhavam com pena daqueles que lá moravam, mas ao chegar à esquina posterior ao local já esqueciam tudo que viram por cima do muro alto e voltavam às suas casas e ao cerne de suas famílias. 
Mesmo com tanta pena, ninguém entrava para dizer bom dia, muito menos para oferecer ajuda, só pensavam como deveria viver naquele lugar de silêncio, esperando o último dia. 
Porém, aqueles que adentraram contam sobre a leveza que sentiram no ar, falam do canto dos passarinhos que adornavam a “compacta” pracinha centrada muro adentro, com uma gigante árvore que ornamentava seu espaço interno. Seus galhos eram tão grandes que quase chegavam às pequenas casas dividas entre duas pessoas, compostas por dois quartos, cozinha e banheiro. As rampas davam a firmeza que os pés e pernas necessitavam para que se mantivessem em pé, os corrimãos sentiam o esforço que as cuidadosas mãos faziam para passar por eles todas as manhãs, tardes e noites.
Visitantes ainda contam, sobre algumas das muitas histórias que se podia conhecer lá dentro. Havia aqueles que de cara fechada e outros que acolhiam com o sorriso. Nas janelas os olhinhos que esperavam uma visita, mas não de qualquer um, mas daquele que tinham o mesmo sangue pulsando no coração.
Cada porta contava uma história, todas elas que faziam o coração palpitar. Cada experiência uma lágrima de quem escutava com atenção, mas em todas as histórias, todas as conversas, os visitantes contam que a tristeza era escondida atrás do sorriso carente que esperava mais uma visita. Quem adentrava era acolhido com clamor, sabedoria e fraternidade. Aquele que os abraçavam sentiam seu corpo arrepiar e o abraço estendia-se por segundos, minutos... 

Certa vez ela fora visitar o tal lugar dos muros altos, encantada com tudo que vira adentrou as pequenas casas, em uma delas encontrou duas senhoras, onde viu o branco e o preto, a calma e a ansiedade, o silêncio e o barulho; era o significado da oposição. Aprendeu artesanato e ouviu-as com zelo, mas uma delas cativou-a intensamente, era a mais nova que lá vivia, a atenção era tanto, que quando a abraçou, na garganta veio um nó, que insistiu em ficar. No sorriso largo via-se compaixão, escondida pela comoção e a intensa vontade de chorar. Talvez lembranças tivessem surgido ou era apenas o que o momento lhe proporcionara. A senhora que lhe retribuiu o abraço pediu que ela voltasse.
E era no olhar perdido da mais nova moradora do “cárcere do abandono” que a visitante encontrava o significado da palavra SAUDADE.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

sábado, 25 de outubro de 2014

Mentiras

Um coração dói
Ele chora de tristeza
Está ferido pela boca do homem
Única causa de sua fraqueza.

São palavras que rasgam o peito
Como facas que perfuram a epiderme
Sons que entram pelo ouvido e machucam
Corroendo devagar, feito verme.

Talvez se não fossem tão mentirosas
Adornariam os lábios que profanaram
Mas quando saltam escuras e assombrosas
Destroem o ser, que as escutaram.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Mariane N. Souza

Sentimento obscuro do Ócio profundo
                  Adornado por Delírios humanos
                       Causado por Impulsos nervosos
                     E consumado pOr atos insanos.


Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

domingo, 14 de setembro de 2014

O Pedido

Tic tac, tic tac, tic tac...

Ela olha o relógio e o telefone a cada 30 segundos.

Tic tac, tic tac... trrrrriiiimmmm

O telefone tocou.
   - Alô!
   - Oi, por gentileza, a Raquel?
   - Desculpe meu senhor, mas se equivocou com o número.
   - Tudo bem, obrigado!

Tic tac, tic tac, tic tac...
   - Esse telefone que não toca!
 Dim dom, dim dom
   - Não, campainha agora não! 

Ela abre a porta com rispidez e o semblante ansioso e enfurecido é encoberto por um lindo buquê de rosas vermelhas, escondendo um pedido:
   - Oi, perdi seu número, adorei a noite passada. Sai comigo?

Ela tira o relógio, desliga o telefone, coloca o buquê sobre o sofá, fecha a porta e sai sem lembrar do tempo.
Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

Lençol Branco

A mão leve escorregava pelo corpo macio e sedoso da moça dos lábios vermelhos. Olhares voluptuosos. Cada toque trocado os estremecia. Nas faces ruborizadas o suor deslizava com cuidado. Sobre a cama o lençol branco transparecia a pureza dos dois jovens amantes. Corpos arrepiados e arredios. Aos poucos as bocas se encostam e numa fração de segundos o ambiente transcende desejo. Dois corpos emaranhados sentiam o pulsar forte do coração tentando escapar. Tremores, gritos e euforia. 
Então tudo para e o ambiente se acalma. E lá estão os jovens enamorados encharcados de prazer no seu primeiro deleite, sob o lençol que já não é mais branco.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

Essência e nada mais

Promessas
Palavras
Abraços
Pureza
Medo
E incerteza.

O tempo...
Simples e rápido.

O vento...
Fresco e calmo.

Ele e ela
Ou
Ela e ela
Ou
Ele e ele

Fortes e unidos
Amantes e bandidos
Sequestram o cupido
E roubam-lhe o amor.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

domingo, 7 de setembro de 2014

Filhote de Passarinho

Hoje queria ser...
Um filhote de passarinho
Voar por dentre as nuvens
E quando estivesse cansado
Voltar ao aconchego do ninho.

Hoje queria ser...
Um filhote de passarinho
Cantar sobre galhos das árvores
E nas penas sentir o vento

Que sopra as asas devagarinho.

Mas como não posso voar
Continuo seguindo meu caminho
Voando com os pés no chão
E imaginando como seria...
Ser um filhote de passarinho.


Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

domingo, 29 de junho de 2014

Som do Poeta

Talvez esse seja o "som do poeta"
Um grunhir qualquer que se ouve ao longe...
As estrelas que "ardem cintilantes" na escuridão...
O vento que entra e bate nas cortinas barulhentas...
As teclas de uma máquina...
O amassar de papeis...
O colocar da caneca sobre a mesa...
Os carros que passam...
O tilintar do sino na madrugada...
Um bêbado que pisa sobre as folhas secas da rua vazia...
A melancólica melodia que se espalha...
O respiro que se sente...
E a lágrima que cai.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images


Auto Sabotagem

A vida reserva tantas surpresas. Coisas que não sabemos quando, nem onde irão acontecer e quando menos esperamos acontecem.
Conhecemos tantas pessoas, que talvez nunca mais as vejamos, mas que de um jeito ou de outro tocaram nosso coração e ficam guardadas lá no fundo, no nosso inconsciente. É como um livro, hoje nós abrimos e o lemos até o fim, mas talvez amanhã não lembremos mais da história, muito menos do título, entretanto se alguém, algum dia, menciona um parágrafo dele, no mesmo instante o resgatamos e percebemos o quanto nos foi importante. 
É impressionante como somos descrente de nós mesmos, como não acreditamos em nossos sentimentos e não sabemos ouvir o coração. É melhor e mais “fácil as coisas acontecerem da forma mais difícil” do que deixar tudo acontecer no tempo natural delas. Preferimos atropelar o tempo que deixá-lo trabalhar. Tente se lembrar em quantas vezes você pensou: - Poxa, eu sabia que isso ia acontecer! Ou então, eu sempre soube disso! Não é um sinal de que a sua intuição é o trunfo principal na busca pelas respostas?
Então por que é tão difícil esperar que tudo aconteça? Uma pergunta simples de ser respondida: - Porque temos pressa em adiantar o tempo e não sabemos esperar. Paciência é uma virtude, se não tem aprenda cultivá-la. Preste atenção em como tudo que nos surpreende é muito melhor do que quando planejamos esperando demais que aconteça. É uma forma de o tempo nos presentear e bonificar pela paciência que tivemos. Não tem porque nos preocuparmos tanto, com tudo, não há necessidade em tanto estresse, tanto medo, tanta dor, tanto sofrimento... Por que sofrer intensamente se tudo acontece em um piscar de olhos? Às vezes a dor é mentirosa. Palavra chave: “autovitimização”, ou seja, o ato de fazer-se de vítima, na maioria das vezes acontece sem percebermos. É interessante que haja um pouco de introspecção, de autoanálise, olhar seu interior e ver se é isso mesmo que está acontecendo ou é você quem está criando essa agonia, agora, se a dor realmente existe, por que não respirar fundo e pensar que tudo vai dar certo? Por que não olhar para o céu e acreditar que tudo vai se acertar? Não seja auto-sabotador. 
Tudo sempre estará guardado no seu inconsciente, tudo que lhe foi importante um dia, e resolver os problemas, encontrar as soluções, ser feliz... são coisas de extrema importância para nosso bem estar físico, emocional, psíquico e principalmente pra nossa alma, sendo assim da mesma forma que é possível lembrar-se daquela pessoa em que um dia passou por sua vida, relembre do quanto é prazeroso ser surpreendido, de como é gostoso atingir um objetivo e nem perceber como aquilo aconteceu e deixe que o tempo trabalhe por si só, deixe que as coisas aconteçam como tem de acontecer, não destrua sua felicidade, seja perseverante, seja seguro, acredite em si mesmo, afinal você foi o único entre milhões de espermatozoides, a sobreviver e você é o único a fazer a felicidade existir na sua vida. Você é o protagonista da sua existência. Não esqueça: - No final, tudo, sempre, vai dar certo, só aprenda a esperar e acreditar. Como dizia a digníssima Clarice Lispector: “Ela acreditava em anjos e porque acreditava, eles existiam”.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

domingo, 18 de maio de 2014

Resiliência

Estar exposto ao fracasso, acordar com pensamentos negativos, procurar desculpas para justificar atitudes, reclamar sem buscar a solução... São algumas atitudes de quem não consegue encontrar em si coragem e força para lutar.
É tão fácil reclamarmos de tudo que acontece. Errar, errar e continuar errando, sempre com as mesmas ações, sem nem mesmo pensar no porque delas. É tão menos complexo encontrar uma desculpa para justificar qualquer atitude errônea que cometemos. É mais simples culpar os outros do que assumir nossos erros. 
Quantas vezes não encontramos pessoas que nos causam piedade, pensamos nelas como seres frágeis que só ‘apanham’ da vida, mas, ao mesmo tempo, não fazem diferença alguma no nosso cotidiano. Apenas passam, sentimos dó, e se vão como se apagassem no horizonte. 
O fato de existirem períodos ruins em nossa vida não é motivo para desanimar e reclamar desde o levantar ao adormecer. A fragilidade existe dentro de todos, isso é fato. O corpo não tem estrutura suficiente para recomeçar todos os dias e por conta disso é importante que haja uma força mental mais intensa, que consiga superar algumas adversidades sem medo de tentar novamente.
Quando estamos “de mal com a vida” a dificuldade em alcançar os objetivos propostos, atingir as metas que traçamos, procurar a solução dos problemas – e encontrá-los –, triplica. Muitas pessoas procuram esconder-se atrás de máscaras para não admitir o que realmente pensam ou têm vontade de fazer diante do outro ou da sociedade, isso vem a tornar-lhes amargos, “incolor”, incrédulos e, para completar a lista dos ins, insuportáveis. É deprimente estar ao lado de quem reclama de tudo, até de si mesmo.
É importante que aprendamos a lidar com as dificuldades, encontrar o caminho certo para a solução dos “dilemas” e adversidades que nos assombram. Já viram problema matemático ser resolvido sozinho? Se ninguém tentar encontrar a solução, jamais surgirá a resposta! A fórmula de Bhaskara não apareceu sem ele pesquisar, estudar... Todos os dias serão horríveis se continuarmos a insistir que eles são horríveis. A mente tem um poder que jamais conseguiremos desvendar. Quanto mais negativo pensamos, mais acontecimentos ruins surgem e quanto mais positivo pensamos, mais conseguimos superar os obstáculos e atingir os objetivos. Essa questão está presente até mesmo na matemática, é a tal regrinha dos sinais: + (mais) e + (mais) = somam e conserva o sinal, – (menos) e – (menos) = somam e o sinal continua negativo. E aí, quer somar e continuar com sinal negativo ou positivo? É você quem escolhe!
Não é ótimo ouvir um elogio? Não nos estimula a ser melhor? Então por que não elogiamos também? Talvez fosse uma forma de deixar o ambiente ao nosso redor mais leve e então contribuir para encontrar essa “positividade” individual e consequentemente alheia.
Outra atitude interessante, que cabe citar aqui, é o fato de aprender a pensar nos problemas, organizar a mente e tentar resolver um a um. É mais simples colocar a cabeça no lugar, tentar descobrir o que está causando aquele sentimento ruim e encontrar a solução para ele. A qualidade de vida seria muito maior se todos aprendessem a não agir por impulso e usar a adversidade a seu favor e não contra si.
Durante nossa “linha do tempo existencial” encontramos pessoas de todas as formas, algumas que têm um poder de reerguer-se das cinzas – o que é admirável –, mas ao mesmo tempo, pessoas com tão baixo autoestima, tão carentes de amor próprio e vontade de crescimento que nos deixam extasiadas. É importante que repensemos melhor sobre algumas atitudes ou em como estamos agindo para contribuir com o “bom humor social”, buscando nossa resiliência. É mais prazeroso aprender a ver colorido do que estar sempre preso nesse mundo preto e branco repleto de infelicidades.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

Nostalgia

Quando a saudade bate forte
A mente me faz lembrar
Dos momentos em que nos amamos
Na claridade do luar

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

domingo, 30 de março de 2014

Despedida

Lá fora a chuva cai silenciosa e traz em cada gota a saudade que machuca ao lembrar-se dos nossos momentos. No rádio, toca a nossa música.
Espero-te todo dia, olhando pela janela - que agora está embaçada pela chuva e ofusca meu sofrimento. Busco ao longe seu assobio ou o som da tua voz, que todas as noites sussurrava em meus ouvidos, mas as notas que ouço atrapalham minha audição e alimentam minha mente dos nossos instantes.
Algo queima meu rosto e dói por dentro. São lágrimas que escorrem por minha face, enquanto embaraçam meus olhos ao aguardar – utopicamente – sua chegada.
Nossa cama está pronta e vazia, com o travesseiro e lençol que tanto gosta. Sobre a mesa está o vinho e as taças, que adornam nosso ninho.
Enquanto vaga, minha mente recorda da nossa última noite. Fizemos amor como nunca! Foi eufórico, extasiante e inesquecível. Suas mãos carinhosas que tocavam meu cabelo. O abraço forte que afagava meu medo e ansiedade. E os lábios? Ah! Como eram macios e adocicados. Seu corpo quente e abrasador ao tocar no meu acendia todas as fantasias e loucuras, que juntos realizamos.
Seu suor misturava ao meu, enquanto nossos olhos vibrantes se encontravam em busca do infinito e as bocas entreabertas, com sede de prazer, buscavam o saciar do sentimento mais intenso que juntos já experimentamos.
O prazer e a magnitude daquela noite vêm como um delírio em meus pensamentos, arrepiando todo meu corpo e intensificando meu choro incessante.
Hoje sei que foi, apenas, uma forma de despedida.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images


sábado, 8 de março de 2014

Recordações

Lembranças...
Consomem minha mente
Que desliga devagar e silenciosa,
Sem medo do que possa acontecer.

Momentos que se foram,
Pessoas que passaram
Vidas que surgiram,
Outras que ficaram.

O tempo esconde mágoas,
Apresenta novas aventuras
E desfoca o lúcido e doloroso,
Que às vezes retorna e ainda dói (com menos intensidade).

Kronos, o ‘deus’ do tempo
Acorda toda manhã
E nos lembra que a vida está passando,
E precisamos andar juntos dela.

Sábio aquele que aproveita cada segundo vital,
Abre os olhos ao acordar e sorri,
Agradecendo por mais um dia,
E continua a viver, um dia de cada vez.

Sábio daquele, que faz dos momentos
A construção da felicidade,
E continua, unido a Kronos

Lutando para recordar,
Trazendo à tona, as mais detalhadas e marcantes...
Lembranças.

Por Mariane N. Souza
Foto: Google Images

Saudades de mim

Que saudade de mim...
De acordar tarde.
Dos tombos e ralados.
Do leite quente de toda manhã.

Saudad...
Da inocência.
Do abraço carinhoso.
Da mente limpa e clara.

Sauda...
Dos banhos de cachoeira.
Do Totó e das galinhas.
Do vento fresquinho e a rede na área.

Saud...
De não ver maldade.
De não conhecer a mentira.
Da vida simples e sincera.

Sau...
Da mão materna lavando meus cabelos.
Do cheiro de pão quentinho saindo do forno.
E o som dos passarinhos cantando lá fora.

Sa...
Do tempo em que não existia tristeza.
Que a saudade só durava um dia.
Que o medo era apenas do escuro.

S...
Das viagens impossíveis.
Dos sonhos inimagináveis.
E da pureza de cada dia.


Por Mariane Souza
Foto: Google Images



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