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sábado, 29 de setembro de 2012

Sussurros

O doce som das tuas palavras
Sussurrando em meus ouvidos 
Deixa minha boca calada 
E atormenta os meus sentidos


Por Mariane N. Souza

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Presente

A porta abre e ele entra. 
_Olá querida, boa noite! Como estou cansado. Hoje no escritório estava uma correria. Cobranças e mais cobranças. O Fábio faltou hoje, tive que trabalhar por dois. Não via a hora de chegar em casa pra comemorarmos com um bom vinho! Aconteceu alguma coisa, amor? Você está tão quieta – mulher com cara fechada, sentada à beira do sofá com malas a sua volta -. 
_ O que são essas malas? Você vai viajar? Tem alguém aqui em casa? Sua mãe vem passar alguns dias conosco? Fala alguma coisa, por favor! 
_ Quem é ela? Por que você fez isso Ricardo? De onde ela é, aonde você a conheceu, foi naquela festinha na casa do Luiz? Por que não me contou? (Ela o estapeia, chorando, gritando eufórica). _ Jamais imaginei que você faria isso comigo! Essas malas são suas, quero que você desapareça dessa casa, nunca mais coloque os seus pés aqui dentro, seu idiota, covarde, cínico... Eu já deveria imaginar, chega todo dia com abraços e todo bonzinho. Comemorar o que? O aniversário da outra? Some daqui Ricardo, vai embora, vai morar com ela! (Chorando desesperada) 
_ Não existe ninguém Mônica, não há ninguém. Eu te amo e sempre amei, você sabe disso. Eu nunca fiz nada, não sei do que você está falando! 
_ Não se faça de bobo, Ricardo. Porque se tem uma coisa que você não é, é bobo. Então pegue as suas coisas e desapareça daqui. 
_ Mas meu amor, eu não fiz nada. Acabei de chegar em casa, estou cansado e ainda te convidei pra comemorarmos. 
_ Comemorar o que Ricardo? Ah! Aqui está o presente que encontrei no meio das suas coisas, pra você entregar a ela e o vinho que separou pra beberem juntos. – ela joga o presente – leve e desapareça daqui! 
Ele pega as malas, coloca o blazer nas costas, dá um beijo na cabeça da esposa lhe entrega o presente e o vinho e diz: 
_ Parabéns pelo nosso 7º aniversário de casamento, espero que o presente seja do seu gosto. 
E sai pela porta da frente de cabeça baixa, chorando. 
Ela fica, com o presente em mãos, boquiaberta e com a maquiagem toda borrada.

Por Mariane N. Souza

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Abismo

Seria isso necessário?
Ou é tudo ao contrário?
Seria a dor um simples fato?
Ou o amor é mesmo ingrato?
Seria ainda tão frio?
Ou são ilusões que na mente crio?

'Futilidades' ligadas ao sangue que correm pelo corpo mole e enrijecem secando o líquido vermelho e quente, parando todos os vasos, sugando sua energia e calando sua voz. Talvez seja essa a função do coração, fazer-nos sofrer sozinhos, sem a chance de gritar ou até mesmo viver de novo.
Por Mariane N. de Souza

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Entrando em pane

Banalidade revestida de livros, sonhos e poesia. Seria uma vida sem nexo, trivial? Ou seria ela recheada de conhecimento, sentimentos, conceitos, cordialidade e irrealidade? Difícil é a tarefa de descobrir o real sentido da vida. Estar em meio a tudo, mesclada com pessoas em todos os cantos. Falar coisas sem sentidos, ouvir histórias mirabolantes... Momentos intensos, porém passageiros. Fazer dos sorrisos, gargalhadas e das tristezas, solidão. 
Às vezes o único sentido é não ter sentido nenhum. Às vezes o nada é o único refúgio. Os olhos demonstram seu brilho e ao mesmo tempo ofuscação. Uma vida de balelas, mentiras e ao mesmo tempo realidade. Tudo é superficial, onde o que conta é aquilo que não sabemos nem mesmo o significado. Seríamos a verdade ou a mentira? Estamos descansando ou deixamos de existir? O que é normal ou anormal? Tudo na simplicidade ou algo que lhe camufle? De que adianta uma casca tão carrancuda ou então falsa se o que vale é o ‘miolo’? A mente não desliga, somente trabalha, trabalha... Até a hora que nos encontramos assim... em pane.

Por Mariane N. Souza

Seca

O vento assobia
Anunciando a chuva que vem de longe.
Enquanto as nuvens frias
Surgem, assustando o sol que se esconde.

Estrondos fortes e majestosos
Reinam sobre a terra fervente
O céu chora silencioso
Derrubando fortes lágrimas quentes.

A ‘pele’ da terra clama
Por água para o verde crescer
Mas a seca injusta e cigana
Teima em outra parte ‘nascer’.
Por Mariane N. de Souza

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fotografia


Vejo lágrimas caindo por dentre linhas profundas que marcam o rosto sofrido, daquela que um dia sorriu de verdade. Cada passo dado é uma lágrima deslizando pelas trilhas que o tempo deixou. Na mente a lembrança de uma infância pobre, mas feliz. Pais amorosos, irmãos carinhosos.
Os galhos que hoje queimam, um dia, foram uma casa, um refúgio, onde com seus livros ela viajou para Londres, Paris, Grécia, Egito... e até mesmo ali do lado. A corda que arrebenta fio a fio e evapora com a fumaça, suportou crianças de todos os jeitos e tamanhos, proporcionou voos altos mesclados com fortes gargalhadas e momentos intensos e eufóricos. O banco que ficava no jardim embaixo da mesa de madeira, que hoje estala despedindo-se, leva consigo promessas e segredos compartidos entre amizades sinceras e que se apaga em cinzas e some com o vento. Cada móvel, cômodo... vai embora deixando somente a saudade do passado.
E aqui, fica guardada na memória a “Era” em que nada preocupava, tudo era considerado normal e as marcas que o tempo deixou para lembrar tudo aquilo que a “Era” também causou. Sua casa desmanchara por conta do fogo que roubou toda a alegria de alguém que carrega, somente, um estômago vazio e uma fotografia de família.

Por Mariane N. Souza

Se eu pudesse...

Se eu pudesse escolher
Escolheria seu sorriso
E a sua boca para beijar.
Enquanto meus dedos
deslisam por seu cabelo liso
E em teus braços me deitar.

Se eu pudesse seria o vento
Para em tua face tocar
Fechar teus olhos sonolentos
E nos teus sonhos habitar.

Se eu pudesse te levaria comigo
Para todo e qualquer lugar
Seríamos mais que bons amigos
Adormeceria com sua voz em noites de luar.

Se eu pudesse seria o sol
Para aquecer o seu corpo
Enrolado no lençol
Nas manhãs de dias quentes
Ouvindo o canto do rouxinol.

Se eu pudesse seria o infinito
Para dar-te tudo que sonha
Deixando um manuscrito
Descrevendo tudo que um dia...
Tive vergonha.

Se pudesse seria o céu
Para viver a te olhar.
E na sua boca ser o mel
Que derrete ao degustar.

Se eu pudesse te faria realidade
Tiraria-o da minha mente
E inventaria a felicidade
Que me deixa descontente.
Por Mariane N. Souza

sábado, 1 de setembro de 2012

Lembro-me

Lembro-me da época em que a única preocupação era brincar. 
Lembro-me daquela época em que os desenhos eram os únicos programas de televisão. 
Lembro-me daquela época em que a Sessão da Tarde era um cinema. 
Lembro-me daquela época em que brincava de carrinho, boneca... 
Lembro-me daquela época em que o dinheiro não importava. 
Lembro-me daquela época em que não importava o que as pessoas pensavam, continuávamos falando, cantando, dançando... 
Lembro-me daquela época em que o batuque da música entrava pelos ouvidos e fazia o corpo requebrar.
Lembro-me daquela época em que não nos preocupávamos com aparência
Lembro-me daquela época em que o amor inocente surgia e ia embora sem deixar uma lágrima. 
Lembro-me daquela época em que novelas eram emocionantes, as músicas marcavam. 
Lembro-me daquela época em que o escuro trazia medo. 
Lembro-me daquela época em que legumes eram de outro planeta. 
Lembro-me daquela época em que anoitecia e lá estávamos na rua... brincando. 
Lembro-me daquela época em que só a água já matava nossa sede. 
Lembro-me daquela época em que corríamos pelas ruas e quarteirões, brincando de pique-esconde. 
Lembro-me daquela época em que soltávamos bolinha de sabão.
Lembro-me daquela época em que a vovó contava histórias.
Lembro-me daquela época em que o solado machucava e fazia-nos chorar. 
Lembro-me daquela época em que a mamãe chamando pra entrar era decepcionante. 
Lembro-me daquela época em que o iogurte tinha outro sabor. 
Lembro-me daquela época em que... não necessitávamos de lembranças para sermos felizes.

Por Mariane N. Souza


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