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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Vestido de Seda Vermelho

As portas se abrem e lá do fundo ela vem caminhando. No corpo traz apenas um vestido de seda vermelho, colado, aberto perna a mostra. Os quadris largos, cintura fina, cabelos longos e boca vermelha aguçam a imaginação de homens e mulheres que de longe a observam. Por onde passa deixa seu perfume doce e marcante. Poder, beleza e sensualidade regidos na mais perfeita maestria. 
Ela caminha pelo corredor que parece não ter fim. Postura ereta, passos compassados. Nas outras salas ouvia-se o som do salto alto. 
Mulheres olhavam com inveja. Era a beleza mais deslumbrante que já havia sido apresentada. Elegância e sensualidade. Os homens a comiam com os olhos. Rasgavam seu vestido com a boca. Desejavam cada fio de cabelo, cada centímetro de seus lábios. A voz rouca e calma adelgaçava a curiosidade de experimentar o seu sabor.
Ela entra na sala presidencial e deixa o prédio em poucos minutos. Ouve-se apenas seu nome, Lucy. Quem seria Lucy, qual seria o segredo de tanta beleza, charme, elegância e poder?
Lucy, solteira e milionária fora fazer investimentos naquela “fatal” empresa. Assim como todos, Paulo, o presidente e proprietário, ficara deslumbrado com tal beleza e vidrado no decote mais perfeito que já vira. Fora convidado, pessoalmente, a um jantar de negócios. Paulo, como um homem bem sucedido, aceitou sem nem mesmo pensar. Seu interesse era estritamente profissional.
Ligou para casa, avisou a esposa que não iria jantar, pois estaria em uma reunião de negócios. Saiu da empresa e foi direto encontrá-la em um dos restaurantes mais bem frequentados na cidade. Falaram de negócios a noite toda. Lucy estava disposta a comprar a empresa de Paulo. Propôs pagamento à vista, em dinheiro. Sem entender qual o interesse da mulher, o empresário disse pensar sobre o assunto. Conversa vai, conversa vem. Taças de vinho, boa comida, boa música, troca de olhares e a noite termina em um motel. Lucy tem mais uma reunião de negócios, bem sucedida.
A noite se repete uma, duas, três, quatro, cinco vezes. O casamento de Paulo já não era mais o mesmo, ele só pensava na sensual e poderosa mulher, que poderia ter em sua cama todas às noites, satisfazendo todos os seus desejos. Lucy enfeitiçava Paulo com beleza, dinheiro e prazer. Ao passar uma semana, ele se separa e sai de casa. Lucy o observa de longe, era como se seus olhos de águia o conhecessem há anos. Mal sabia Paulo, o que lhe esperava. 
Os dois saem para comemorar a nova vida que o empresário teria a partir de então. Cheia de riquezas, luxos, sem compromissos e responsabilidades. Tudo que ele, como um homem cheio de vaidades, gostaria de ter. Os dois viviam bem durante meses, Lucy era a mulher que todo homem sonhava. Até que ela o convence a passar a empresa em seu nome, justificando com a explicação de que sua ex-mulher poderia ficar com metade do patrimônio do amante apaixonado, durante a separação. Paulo, sem questionar fez tudo que ela pediu. Ela o enfeitiçara.
Ao terminar as assinaturas, Lucy com sorriso largo no rosto, olhos vidrados em sua presa, promete a mais perfeita e prazerosa noite de amor a Paulo, que fica excitado apenas em olhar a boca que pronunciara tais palavras.
Os dois vão direto ao motel, onde ficaram a primeira noite. Lucy tira a roupa e o provoca com seu corpo escultural. O homem que transpira ao olhá-la, não acreditando ter em sua cama mulher tão extasiante. 
A noite prometia loucuras. Lucy continuava com olhar fixo e hipnótico. Deixara a banheira enchendo enquanto fazia seu homem “queimar” na cama redonda de lençol branco. Paulo salivava a cada toque, gesto. Sua vontade era pular em cima dela e saciar todo aquele desejo. Mas ela se esquivava, prendia suas mãos no colchão e o provocava vagarosamente, enlouquecendo o rico empresário. Lucy beijava-o por inteiro, passava a mão macia da sua presa em seu corpo nu. O coração de Paulo palpitava e clamava pelo corpo e sabor da mulher.
Lucy calculava cada passo onde pisava. Vão à banheira, onde deita seu homem, que já estava totalmente fora de si. Lucy faz tudo que Paulo quer e no ápice do prazer, tira debaixo do seu roupão uma corda e enrola nas mãos e pescoço do seu alvo. Paulo pergunta o que está acontecendo e ela apenas responde estar deixando mais interessante à “brincadeira”. Paulo estourando de desejo concorda e continua, ela o olha como se fosse comê-lo aos poucos e conclui a noite de prazer asfixiando seu mais novo amante. Lucy serve-se com uma taça de champanhe e observa sua presa estremecer até o último suspiro, ao som de música clássica. Sai da banheira, veste-se e caminha de encontro à porta com mais alguns milhões.
Lucy, a partir de então passa a se chamar Anita e com o mesmo vestido de seda vermelho, marca mais um x na agenda preta de capa aveludada.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Imagens



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