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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Inspiração

Está acontecendo alguma coisa
Espera aí, o que é isso?
As palavras estão surgindo
Juntando-as com a mente vão se transformando
Em frases formando belos textos
Sobre o quê?
Sobre o que imaginar
Sobre onde navegar
O pensamento voa alto
Há lugares impossíveis
Construindo uma base de coerência inexplicável
Papel e caneta à mão
É hora de concretizar pensamentos abstratos
Escrever é especial
E o resultado final de uma obra de arte
Um escritor excepcional.

Por Katiane Keyt

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Intensidade

Minha ansiedade agora corroi os sentimentos mais profundos.
Aqueles sentimentos desconhecidos, que preferem se esconder.
Esconderijo com ausência de luz, buraco negro.
Engole o desconhecido, o inexperimentado.
Você me fez mudar.
Agora, me explore, me desconcerte, apenas não me deixe quebrar.

Por Bárbara Lima




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Metáfora

Além das montanhas
Estão minhas fantasias
Viajando pelas colinas
Em um mar de teimosia

Por Mariane N. Souza

Pare e pense

A vida é como uma pilha
Com lados positivos e negativos
Um lado só não faz o "eletrônico funcionar"

Por Mariane N. Souza

domingo, 22 de janeiro de 2012

Que saudade da minha infância

Que saudade da minha infância
Onde os doces tinham mais açúcar
O chiclete tinha um sabor mágico
E as balas... hummm... Essa era uma delícia.

Que saudade da minha infância
Brincávamos de pique esconde, pega pega, polícia e ladrão...
Meninos e meninas correndo, gritando, pulando...
Todos misturados sem malícia

Que saudade da minha infância
Com sabor de chocolate
E aroma de folhas verdinhas

Que saudade da minha infância
No colinho da vovó
Ouvindo histórias, tomando chá
E comendo biscoitos

Que saudade da minha infância
Onde corríamos pelas enxurradas
Andando no barro
Nos dias chuvosos

Que saudade da minha infância
Onde subíamos nos galhos das árvores
E comíamos fruta do pé
Ah! Sabor inconfundível

Que saudade da minha infância
E dos bichinhos que corríamos atrás
Pato, cavalo, porco, cachorro, gatos...
Éramos amigos dos animais

Que saudade da minha infância
Onde todos tinham o mesmo valor
Sem distinção de cor, beleza...

Que saudade da minha infância
Tempo que não vai voltar
Mas que deixou marcas gostosas
Com lembranças e saudades que me fazem chorar

Por Mariane N. Souza

sábado, 21 de janeiro de 2012

Segredos da Lua

À lua conto meus segredos
Conto também
Meus desejos e fantasias
Converso com ela toda noite
Recitando versos de poesia

Meus olhos brilham
Ao olhá-la
Fascinados com sua beleza
Nas mágicas noites de lua cheia
Mantenho minha destreza

Para com ela dividir sentimentos
Ouvindo histórias românticas
Que a beleza da lua inspirou
E continua a inspirar

Olhares que sob elas se cruzaram
Rostos distantes e sem destino
Paixões surgiram se encontraram
Aromas e desejos sentidos e realizados
Que a lua uniu com seu romantismo
Em um casal de namorados


Por Mariane N. Souza

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Passos de dor

Os passos que dou
Enfurecem meus conceitos
As sombras me seguem
Pelo vale da escuridão
Maus presságios me perseguem
Apagando os rastos que deixo na rua

Vejo luz a quilômetros
Tenho medo de não alcançá-la
Mesmo assim sigo
Com o coração ferido
E a escuridão sob meu corpo

Quanto mais caminho
Mais parece estar longe dela
Gotas de sangue pingam de minha cabeça
Algo me segura
Correntes prendem minha alma
A dor é forte o suficiente para desistir,
Mas não... Continuo me arrastando
Deixando para trás gotas do meu sangue
Sacrificado para chegar até a luz

Caminhos percorridos
Dores sentidas
Suor misturado com o sangue
Medo e felicidade
Felizmente, chego até ela
Uma mão se estende
Agarro-a com a força que me resta

Lá estou eu, pisando em nuvens brancas
Macias feito algodão
Voando feito anjos
De volta à casa
...
Por Mariane N. Souza

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Seja como for, mas seja...

"Torna-te quem tu és", Nietzsche quando disse isso sabia do que estava falando, mesmo com toda sua arrogância, egocentrismo e suas teorias de que o homem não ajuda o outro por querer ajudar, mas sim para ser superior, ainda tinha consciência quando se referia a personalidade.
Hoje vemos um mundo diferente da época de Nietzsche, diferente em todos os sentidos, tantos os bons, quanto ruins, principalmente no que tange a personalidade. Podemos observar que o agora se tornou fútil, as pessoas que fazem parte da sociedade atual não têm personalidade, tudo que fazem, maneira como agem, músicas que ouvem... são induzidas a fazer o que, na maioria das vezes, não acham o certo a ser feito, agem daquela forma, somente porque outras pessoas agem também. Seria tão simples acabar com essa ignorância que sofremos, com essa futilidade... basta esses 'seres' se tornarem o que realmente são e não viver dentro da casca que os envolvem assim que começam a estar "no meio".
Sinto repugnância e ao mesmo tempo pena, desses pequenos influenciáveis que pensam ser aquilo que não são e buscam agir conforme veem os outros se comportarem. Não queira se tornar mais um em meio a tantos, não seja aquilo que não é, seja diferente, faça como Nietzsche dizia "Torne-te quem tu és".
Por Mariane N. Souza 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ainda procuro

Ainda procuro 
Um lugar onde o mundo não acabe 
Onde o sorriso ilumina no escuro 
E a paz seja o único sentimento que invade 

Ainda procuro 
Uma saída para o meu medo 
Que me esconde atrás do muro 
E tira-me do enredo 

Ainda procuro 
Um caminho no meio do nada 
Um porto seguro 
Onde eu possa descansar de madrugada 

Ainda procuro 
Um Brasil sem preconceito 
Que não lute no futuro 
Por um país sem jeito 

Ainda procuro 
A morte da arrogância 
Um domínio prematuro 
De quem nasce com a ganância 

Ainda procuro 
O lugar perfeito 
Com pensamentos maduros 
Onde reine o respeito

Mariane N. Souza

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sinto Falta

Minha mente conturbada 
Sonha todas as noites 
Com o dia de lhe encontrar 


Meus olhos, mesmo fechados 
Enxergam seu semblante 
Fazendo-me suspirar 

Quando olho sua foto 
Lembro-me de suas doces palavras 
De quantas vezes as li 
Imaginando como seria ouvi-las 

Sinto falta do seu colo 
Do seu beijo 
Do seu consolo 
... 

Sinto falta da sua voz 
Falando baixo no meu ouvido 
Recitando versos de poesia 

Sinto falta das suas mãos em meu cabelo 
Fazendo-me dormir 
Sonhando com nós dois 

Espero poder te fazer carinho 
Olhar nos teus olhos e dizer que te amo, 
Mas enquanto isso vivo sonhando 
E esperando o nosso ‘re’encontro.

Por Mariane N. Souza

Dias Gelados

Às vezes nas manhãs de dia gelado 
Fico imaginando você do meu lado 
Sentindo seu coração pulsar forte 
Até o meu leito de morte!

Por Mariane N. Souza

Respiro você

Você é pra mim como o ar,
Não te vejo, mas sei que existes
Não posso te tocar, mas te sinto em mim
Não faz parte do meu ser e mesmo assim se tornou essencial em minha vida.

Por Gustavo Pereira

Pensando nele...

Se meu coração falasse 
Gritaria seu nome 
Me veja e te mostro o que é ser feliz!

Por Mariane N. Souza

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Medo

Não tenha medo,
Mas se for preciso chore
Não tenha medo, dance e cante
Isso ajuda a espantá-lo
Não tenha medo de não dar tempo
Porque o tempo você é quem faz
Não tenha medo de dizer a verdade
Se isso vai te deixar em paz então diga
Não tenha medo, o medo é um muro
Que te impede de conquistar o mundo
E deixar seus sonhos voarem

Por Miriam Silvério

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O coração também fala

Olho para o lado
Encontro um olhar perdido
Buscando calado
Algo que lhe faça sentido

Vou-me ao encontro do homem
Que procura por um amor
Vontades me consomem
De sentir o seu sabor

Sabor da sua boca
E do toque da sua mão
Toques que me deixam louca
Acelerando a pulsação

Uma pena não conseguir
Esse sonho realizar
Deixo-o seguir
E outra menina namorar

Tenho medo da rejeição
Da perda e do sofrimento
Por isso meu coração
Continua desalento

Espero que um dia esse medo acabe
E eu possa seguir em frente
Quando tenho essa vontade
Que polui minha mente
E meus sonhos invade
Me deixando descontente
Nesse mundo de crueldade

Por Mariane N. Souza


Dignidade pisoteada

A que ponto chega o ser humano. Hoje enquanto trabalhava um senhor, de aparência simples, cabelo curto grisalho, aparentando ter de sessenta anos para mais, agasalhado com uma blusa de lã azul e utilizando uma muleta chegou até o escritório pedindo ajuda para que pudesse comprar remédio contra um câncer no estômago, todos que comigo trabalham e no momento tinham condições de ajudar, ajudaram. Fiquei feliz em saber que pessoas boas ainda existem e estão ao meu redor, mas ao mesmo tempo muito triste em ver a que ponto pode chegar uma pessoa, ter que pedir dinheiro para comprar remédio. 

Existem charlatões pedindo nas ruas, mas para comprarem produtos indevidos não porque precisam, no entanto quando vemos que existem pessoas que realmente precisam de “esmolas” para comprar até mesmo remédios, é triste, muito triste. 
Fico imaginando se algum dia esse senhor, que aqui esteve hoje, vai estar na rua caminhando como um cidadão qualquer, onde tenha melhorado e possa gozar da vida sem precisar passar pela “humilhação” de pedir dinheiro, novamente. Penso também o que se passa pela cabeça dele, que um dia pode trabalhar ganhar o próprio sustento e que hoje necessita de ajuda. 
Senti a vergonha que o senhor sentiu no momento em que olhou para mim quando pedia, encarecidamente e com muita educação, aquela mísera ajuda. Ao sair, pediu desculpas por ter nos “atrapalhado” aquele momento, o que com toda certeza do mundo não fez, atrapalhar. Sei que a pena, a dó é um dos piores sentimentos de sentir para com o próximo, mas mesmo assim, naquele momento foi o que me preencheu, a pena. Espero que um dia, esse senhor possa melhorar e voltar a uma vida sadia, espero também que um dia os filhos dele revejam seus conceitos e ajude-o para que não precise, nunca mais, passar pelo que passou hoje. Quantos nãos ele não recebeu? Quantos, desculpa, mas não posso ajudar! Isso é humilhante para alguém que passou uma vida trabalhando e hoje se ver perdido nessa imensidão de injustiças.

Por Mariane N. Souza

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Amizade

As pessoas nascem, crescem e morrem. 
Muitas passam por nossa vida e deixam-nas marcadas para sempre 
Incertezas, maluquices, gargalhadas, choros, alegrias, memória, sentimentos, compreensão, certeza... 
Zombar, brincar, correr, conversar, colar, estudar... Quantas coisas fazemos junto com pessoas queridas e que um dia se distanciam 
Amigos são anjos, são pessoas que fazem dos nossos dias, dias melhores, mais felizes... Não precisamos ouvir sua voz, apenas ao estarmos ao lado deles nos sentimos no lugar certo, na hora certa e com a melhor pessoa do mundo para nos fazer companhia. 
Dia após dia, chego à conclusão de que a vida não é nada sem nossos amigos. Nada tem sentido sem eles ao nosso lado. 
Enfatizando que não são do nosso sangue, nem da mesma família, são apenas, eternos e sinceros AMIGOS. 

Amizade não é apenas dizer que é amigo 
É compartilhar as tristezas e as alegrias 
É acordar de manhã sabendo que tem alguém lá fora pra nos ajudar a dar para a vida um sentido 
Viver aproveitando cada segundo, pensando nos outros dos outros dias... 
Ter um amigo não é ter um conhecido ou conhecer mais um 
Ter amigo é ser amigo, oferecer sua mão, seu sorriso, seu consolo, seu abraço, seu afago e não abandoná-lo em momento algum 
Ter amigo, “não é saber somar e sim multiplicar” (Irmã Mariana) 
Saber que a vida sem esses anjos não tem sabor 
Saber que as cores nesse momento desaparecem, tudo fica preto e branco 
Saber que momento algum será tão maravilhoso como foi com aquele amigo 
Como já dizia Chaplin à vida é muito para ser insignificante 
A essência dela são os AMIGOS 
Como seria o mundo se não existissem esses companheiros que chamamos de AMIGOS? 
Apenas seis letras, mas uma imensidão de sentimentos... 

Obrigada Senhor, por deixar seus anjos descerem até aqui para nos fazer sentirmos as melhores sensações, darmos as melhores gargalhadas, até de coisas idiotas. Obrigada Senhor por nos contemplar com pessoas de tão puro sentimento, de nos poupar do sofrimento que é viver sem eles. 
Obrigada AMIGOS por fazerem dos nossos dias, dias deslumbrantes e maravilhosos.

Por Mariane N. Souza

sábado, 7 de janeiro de 2012

Chuva

Cheiro de terra molhada, entra pelas narinas... Vento que toca a cortina balança seu pano passando por meu rosto macio. Os olhos fechados vão ao encontro da mente vazia que busca, somente momentos felizes. Sorriso suave surge e vai embora com os trovões e relâmpagos, trazendo à tona aquilo que quero esquecer.


Aromas

Garota pequena que corre dentre as flores atrás da colorida borboleta, flores que por suas pernas passavam balançando e exalando aromas, recendendo o ar. As pétalas voavam com o vento e caíam no moinho, rodando com a água do rio doce ali de perto. As bromélias dançavam silenciosas observando a menina que corria com um forte sorriso no rosto. As árvores balançavam seus galhos derrubando folhinhas calmas e vagarosas que encostavam no chão macio. E assim foi a menina, passando pelas plantas acordando os girassóis e assanhando as pequenas abelhas, que vinham voando desesperadas ao encontro do seu néctar.

Por Mariane N. Souza

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Decepção

Decepção. De acordo com o dicionário Aurélio significa: Engano; logro; desilusão; desapontamento. Mas não é somente isso. Decepção é uma das dores mais fortes que existe, a mente vaga no vazio, o sorriso não aparece, o sol não nasce... As ruas ficam vazias, o coração ferido; sentimos uma perda muito grande, uma tristeza gigantesca que não passa. As pessoas falam em um túnel muito distante, não conseguimos ouvi-las. Não importa o que aconteça, a mente não volta a funcionar como deveria. São sentimentos como esses que nos fazem pensar se existe alguma máquina do tempo para que pudéssemos voltar e começar novamente, mas de forma diferente, onde no final não houvesse sofrimento e muito menos decepção. Àqueles que já sofreram decepções e que a superaram têm minha profunda admiração. O hoje é eterno dentro daquilo que sinto e que penso. As horas que não passam fazem com que a dor não vá embora e os fantasmas do passado voltem a todo o momento assombrando os instantes de felicidade, soprando no ouvido lembranças que gostaríamos de “deletar” para sempre da nossa mente e nosso coração, mas como nada disso é possível, assim continuamos seguindo, mesmo com os arranhões e cicatrizes profundas o medo e a dor acabam, fica apenas o desapego como lembrança daquilo que um dia já foi verdade.

Por Mariane N. Souza

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Névoa da manhã

Mesmo em dias nublados 
Os pássaros não deixam de cumprir seu destino 
Acordar crianças, adultos, idosos e enamorados 
Em mais uma manhã de um dia divino

Por Mariane N. Souza

Insanidade

Naquele dia o sol não nasceu. Cânticos se ouviam no fim da rua, cânticos de sofrimento. Gritos de dor e arrependimento. Na mão da menina um corpo. Sangue sujavam suas roupas brancas do ano novo. Ano que se iniciou com uma tragédia, jamais esquecida pelos olhos da população daquela cidade. À noite fora tão agitada que não foi possível salvar nem mesmo a vida do pobre moço apaixonado. A nebulosa névoa que cobrira o céu da manhã, mostrava a desgraça que acontecerá na noite passada. 
Risos. Gargalhadas. Brincadeiras. Superstições. Crianças até tarde brincando. Estouro. Champanhe. Fogos. Cumprimentos. Abraços. Beijos. De repente um estrondo. Sangue. Correria. Copos e garrafas quebrando. Gritos. Choro. Berros de desespero. Medo. A luz se escondeu. A rua ficou vazia. Para onde foram todos? Não se ouve vozes, nem cochichos... somente passos vagarosos e olhos arregalados. Chacina? Não! Acerto de contas. Ele roubara sua namorada e agora o moço de capuz preto ferira dois corações, um com um tiro e outro com a morte de quem ela mais amava. Vidas em vão em uma noite qualquer de um ano que mal começou.
Por Mariane N. Souza

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sertão brasileiro

A lua era forte, na melancólica noite em que Helena adormeceu eternamente. Dias quentes de verão declaravam a seca do sertão. Sem água, sem trabalho, sem comida, sem vida. Assim se encontravam os nordestinos, procurando formas de não deixar os filhos passarem fome. Famílias com seis, sete filhos dormindo em casebres, bebendo a água da chuva e comendo o que o pai conseguia para colocar em casa, às vezes apenas farinha. Farinha e água. Alimento que quando saciava a fome de todos, significava fartura. 
Assim vivia a família de dona Helena, uma boia-fria moradora do sertão nordestino, mulher, mãe, guerreira... D. Helena era mãe de 6 filhos, cujo mais novo tinha 7 meses e o mais velho 14 anos. Viúva e boia-fria, trabalhava junto com os três primeiros filhos para conseguir levar o que comer para dentro de casa. Jorge, o filho mais velho – 14 anos – ajudava a mãe no canavial. Simão e Gilberto – 12 e 11 anos – trabalhavam como engraxates. Solange – 10 anos – essa ficava em casa para cuidar dos outros dois irmãos, Suzana – 3 anos – e Sérgio – 7 meses.
O pai morrera de malária há alguns meses, d. Helena, a partir de então passou a trabalhar para sustentar o lar, ou melhor, para mantê-los vivos. Todas as noites a batalhadora viúva chorava e pedia para que o Senhor lhe concedesse saúde e força para que pudesse sobreviver e cuidar dos filhos. 
A água, na casa de dona Helena, era escassa, o poço que abastecia o pote estava secando, mas os vizinhos a ajudavam fornecendo pelo menos água limpa para as crianças saciarem a sede durante o dia, os banhos eram tomados no rio longe de casa, onde ela também lavava roupas. O café da manhã era um copo de água que os vizinhos lhe davam, o almoço feijão e farinha, às vezes tinha sal para misturar; o jantar era a sobra do almoço. Comiam os mais novos, porque os mais velhos já eram fortes o suficiente para aguentarem a fome. A casa onde viviam era feita de barro, divididos em dois cômodos, cozinha e quarto, sem mobília, com somente um fogão de barro e uma mesa feita de tijolos. A cama eram folhas de bananeira com cobertores encontrados em um aterro nos arredores. 
Em uma noite estrelada de lua clara, dona Helena saiu para pedir um pouco de água a algum vizinho, porque o mais novo tinha fome e o leite já havia secado. D. Helena não aguentando ver a criança chorar de tanta fome foi procurar alguém para lhe dar um pouco de água. O bebê chorou até adormecer, as crianças também e d. Helena não voltou. Seu corpo foi encontrado na manhã do outro dia. Jorge saíra para procurar a mãe e encontrou-a caída a 2 metros da casa com uma caneca de água em mãos. 
Dona Helena havia encontrado o que procurava, mas não aguentou a fome, nem a sede, perdendo as forças no meio do trajeto, o que saciaria a fome do filho poderia ter feito com que ela sobrevivesse, mas o destino não quis assim e a batalhadora mulher de 38 anos morre no sertão nordestino por desnutrição e desidratação. 
Os filhos de dona Helena continuaram vivendo na casa durante alguns anos, o bebê não suportou tanto tempo e alguns meses após a morte da mãe faleceu, Jorge, Solange, Simão, Gilberto e Suzana conseguiram sobreviver e continuam trabalhando no canavial, lutando contra doenças, fome, sede... e sofrimento.

Por Mariane N. Souza


Sonhar, instantes de fascinação

Pequenas crianças que me rodeiam, faz com que dias felizes e melhores se tornem realidade. Durante essa noite, sonhei com um pequeno bebê de cabelos encaracolados, o qual comigo ficou durante um bom tempo, rindo, brincando e ‘sendo criança’, fazendo com que as horas da minha noite voassem. O bebê que por mim havia sido encontrado, estava perdido, deveria ter seus 2 anos, em média, garoto risonho, pele morena clara, cabelos castanhos claros encaracolados, rosto redondo, sorriso suave e angelical. Sua imagem não saiu da minha cabeça o dia todo, não é a primeira vez que sonho com crianças e todas sempre me fazem muito bem, tanto durante a noite, quanto durante o dia quando lembro. 
A simplicidade da felicidade do garoto me encantava, as brincadeiras “bobinhas”, os gestos de carinho, tudo me fascinava, contudo ele estava perdido e precisava encontrar sua mamãe, que com certeza o procurava desesperado, foi então que sai com ele para que a encontrássemos e na esquina da minha casa estavam duas mulheres procurando a criança. Entreguei-o e ele se foi acenando e sorrindo, com aquele rostinho de anjo que jamais será esquecido pela minha mente.
Por Mariane N. Souza




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