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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Amigos

A vida é feita de encontros e reencontros, cada um com sua intensidade. Pessoas que vão e vem. Alguns passam por nós e nem percebemos a sua existência, outros deixam marcas pela vida toda – tanto boas, quanto ruins, mas também existem aquelas que entram e que jamais gostaríamos que saíssem. São pessoas do tipo sementinha. Você conhece e uma semente é plantada, com o tempo vai sendo regada e dia após dias cresce, fica verdinha, floresce, permanece sempre viva, florescendo, mas se não cuidar murcha e morre. Existem, também, as que nos fazem tão mal que gostaríamos de nunca tê-las conhecido. E assim vamos seguindo, conhecendo e “desconhecendo” e só ficam aquelas que nos fazem bem, aquelas que transformamos em nossa família, fazemos uma seleção entre milhares e escolhemos as melhores. Com o passar dos anos, crescemos, aprendemos, amamos, choramos, brigamos, caímos, levantamos, gargalhamos, abraçamos, nos emocionamos... uma série de sentimentos que só passam a existir se tem alguém ao nosso lado. Aprendemos que nada é construído sozinho, que ninguém vive sem amar, sem compartilhar. Não existe plenitude num mundo solitário. A solidão é escura, dolorosa e muda, traz tristezas e conflitos internos, medos e lágrimas é o contrário da companhia, que faz da vida mais colorida, e para que as cores estejam sempre vivas precisamos de pessoas ao nosso lado, porque sempre que começam a desbotar, tem alguém que as reaviva. Por fim, como já dizia Tom Jobim: “...Fundamental é mesmo o amor; É impossível ser feliz sozinho...”.

Por Mariane N. Souza
Foto: Google Images

quarta-feira, 18 de março de 2015

Quem viu o amor?

Cadê o amor?
Para onde foi?
Talvez esteja enterrado,
No mais profundo buraco.
Teria ele um retorno?
Não se sabe! 
Pode estar escondido
Ou aqui pertinho
Mas e se foi embora e não quer mais voltar?
Espera! Existe amor? 
Não é mais uma palavra bonita com sentido subjetivo?
Seria o amor a lágrima que cai?
Ou é a dor do coração que tem o nome de amor?
Mas se dizem que o amor é lindo e deixa tudo mais deslumbrante, por que ele seria uma dor ou então derrubaria lágrimas?
Fala-se tanto em amor, mas não se sabe qual seu sinônimo, nem por onde anda, nem onde fica e nem qual é o seu cheiro.
Na verdade só sabe o que é o amor, quem ama, só sente o seu cheiro, quem vive por ele, só sabe a sua cor, quem enxerga com olhos de amante. Só se sabe o que é o amor, quem derruba lágrima por ver seu (sua) amado (a), filho/filha, pai/mãe, irmão/irmã, avô/avó... chorar, quem abraça com ternura pra dar conforto e colo aconchegante, quem acorda com beijo doce e sorriso de bom dia, quem pega na mão e caminha por aí, quem ri do que não tem graça, quem abraça na hora do medo. Só se sabe o que é amor, quem aprende a amar, aprende a definição de respeito, de cumplicidade, de reciprocidade, quem confia de olhos fechados, quem enxerga colorido onde todos não vêem cor. Só se sabe o que é o amor, quem ama incondicional, doa-se sem esperar retorno.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Images

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Vestido de Seda Vermelho

As portas se abrem e lá do fundo ela vem caminhando. No corpo traz apenas um vestido de seda vermelho, colado, aberto perna a mostra. Os quadris largos, cintura fina, cabelos longos e boca vermelha aguçam a imaginação de homens e mulheres que de longe a observam. Por onde passa deixa seu perfume doce e marcante. Poder, beleza e sensualidade regidos na mais perfeita maestria. 
Ela caminha pelo corredor que parece não ter fim. Postura ereta, passos compassados. Nas outras salas ouvia-se o som do salto alto. 
Mulheres olhavam com inveja. Era a beleza mais deslumbrante que já havia sido apresentada. Elegância e sensualidade. Os homens a comiam com os olhos. Rasgavam seu vestido com a boca. Desejavam cada fio de cabelo, cada centímetro de seus lábios. A voz rouca e calma adelgaçava a curiosidade de experimentar o seu sabor.
Ela entra na sala presidencial e deixa o prédio em poucos minutos. Ouve-se apenas seu nome, Lucy. Quem seria Lucy, qual seria o segredo de tanta beleza, charme, elegância e poder?
Lucy, solteira e milionária fora fazer investimentos naquela “fatal” empresa. Assim como todos, Paulo, o presidente e proprietário, ficara deslumbrado com tal beleza e vidrado no decote mais perfeito que já vira. Fora convidado, pessoalmente, a um jantar de negócios. Paulo, como um homem bem sucedido, aceitou sem nem mesmo pensar. Seu interesse era estritamente profissional.
Ligou para casa, avisou a esposa que não iria jantar, pois estaria em uma reunião de negócios. Saiu da empresa e foi direto encontrá-la em um dos restaurantes mais bem frequentados na cidade. Falaram de negócios a noite toda. Lucy estava disposta a comprar a empresa de Paulo. Propôs pagamento à vista, em dinheiro. Sem entender qual o interesse da mulher, o empresário disse pensar sobre o assunto. Conversa vai, conversa vem. Taças de vinho, boa comida, boa música, troca de olhares e a noite termina em um motel. Lucy tem mais uma reunião de negócios, bem sucedida.
A noite se repete uma, duas, três, quatro, cinco vezes. O casamento de Paulo já não era mais o mesmo, ele só pensava na sensual e poderosa mulher, que poderia ter em sua cama todas às noites, satisfazendo todos os seus desejos. Lucy enfeitiçava Paulo com beleza, dinheiro e prazer. Ao passar uma semana, ele se separa e sai de casa. Lucy o observa de longe, era como se seus olhos de águia o conhecessem há anos. Mal sabia Paulo, o que lhe esperava. 
Os dois saem para comemorar a nova vida que o empresário teria a partir de então. Cheia de riquezas, luxos, sem compromissos e responsabilidades. Tudo que ele, como um homem cheio de vaidades, gostaria de ter. Os dois viviam bem durante meses, Lucy era a mulher que todo homem sonhava. Até que ela o convence a passar a empresa em seu nome, justificando com a explicação de que sua ex-mulher poderia ficar com metade do patrimônio do amante apaixonado, durante a separação. Paulo, sem questionar fez tudo que ela pediu. Ela o enfeitiçara.
Ao terminar as assinaturas, Lucy com sorriso largo no rosto, olhos vidrados em sua presa, promete a mais perfeita e prazerosa noite de amor a Paulo, que fica excitado apenas em olhar a boca que pronunciara tais palavras.
Os dois vão direto ao motel, onde ficaram a primeira noite. Lucy tira a roupa e o provoca com seu corpo escultural. O homem que transpira ao olhá-la, não acreditando ter em sua cama mulher tão extasiante. 
A noite prometia loucuras. Lucy continuava com olhar fixo e hipnótico. Deixara a banheira enchendo enquanto fazia seu homem “queimar” na cama redonda de lençol branco. Paulo salivava a cada toque, gesto. Sua vontade era pular em cima dela e saciar todo aquele desejo. Mas ela se esquivava, prendia suas mãos no colchão e o provocava vagarosamente, enlouquecendo o rico empresário. Lucy beijava-o por inteiro, passava a mão macia da sua presa em seu corpo nu. O coração de Paulo palpitava e clamava pelo corpo e sabor da mulher.
Lucy calculava cada passo onde pisava. Vão à banheira, onde deita seu homem, que já estava totalmente fora de si. Lucy faz tudo que Paulo quer e no ápice do prazer, tira debaixo do seu roupão uma corda e enrola nas mãos e pescoço do seu alvo. Paulo pergunta o que está acontecendo e ela apenas responde estar deixando mais interessante à “brincadeira”. Paulo estourando de desejo concorda e continua, ela o olha como se fosse comê-lo aos poucos e conclui a noite de prazer asfixiando seu mais novo amante. Lucy serve-se com uma taça de champanhe e observa sua presa estremecer até o último suspiro, ao som de música clássica. Sai da banheira, veste-se e caminha de encontro à porta com mais alguns milhões.
Lucy, a partir de então passa a se chamar Anita e com o mesmo vestido de seda vermelho, marca mais um x na agenda preta de capa aveludada.

Por Mariane N. Souza
Fonte: Google Imagens

domingo, 25 de janeiro de 2015

Alemanha

A Gestapo estava aí. Carneirinhos arrasados e devastados pela dor da perda. Cabeça por cabeça, uma atrás da outra. Cabelos compridos, curtos, encaracolados e lisos. No momento era o que se via. Sobre as calçadas pessoas horrorizadas e nas ruas, pobres miseráveis envergonhados por ser quem eram. Escárnio da “hierarquia racial”. Pobres “animais” caminhando ao matadouro.
Adentravam as residências com a força e gentileza de bois e demônios, caçando inocentes. Ao ouvir batidas em portas ou ver “cavalos marchadores” com listas de casa em casa, sabia-se como seria o futuro daquelas funestas almas.
Idosos, adultos, jovens e crianças choravam desguarnecidos por todos os cantos. Não sobrava nada além de lágrimas, lares vazios e medo. Pelo ar sentia-se o odor de corpos queimados, advindos do obscuro.
Alguns viviam embaixo de sótão, escondidos em porões, vendo o sol nascer e ir embora, por frestas. A guerra estava aí e ninguém mais sabia como seria o fim daquele dia. Seria uma bomba? Um fuzilamento? Campo de concentração ou só mais um dia de terror antes do adeus fatal?

Por Mariane N. Souza
Cena do filme: A Lista de Schindler. Fonte: Google Images



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