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domingo, 30 de março de 2014

Despedida

Lá fora a chuva cai silenciosa e traz em cada gota a saudade que machuca ao lembrar-se dos nossos momentos. No rádio, toca a nossa música.
Espero-te todo dia, olhando pela janela - que agora está embaçada pela chuva e ofusca meu sofrimento. Busco ao longe seu assobio ou o som da tua voz, que todas as noites sussurrava em meus ouvidos, mas as notas que ouço atrapalham minha audição e alimentam minha mente dos nossos instantes.
Algo queima meu rosto e dói por dentro. São lágrimas que escorrem por minha face, enquanto embaraçam meus olhos ao aguardar – utopicamente – sua chegada.
Nossa cama está pronta e vazia, com o travesseiro e lençol que tanto gosta. Sobre a mesa está o vinho e as taças, que adornam nosso ninho.
Enquanto vaga, minha mente recorda da nossa última noite. Fizemos amor como nunca! Foi eufórico, extasiante e inesquecível. Suas mãos carinhosas que tocavam meu cabelo. O abraço forte que afagava meu medo e ansiedade. E os lábios? Ah! Como eram macios e adocicados. Seu corpo quente e abrasador ao tocar no meu acendia todas as fantasias e loucuras, que juntos realizamos.
Seu suor misturava ao meu, enquanto nossos olhos vibrantes se encontravam em busca do infinito e as bocas entreabertas, com sede de prazer, buscavam o saciar do sentimento mais intenso que juntos já experimentamos.
O prazer e a magnitude daquela noite vêm como um delírio em meus pensamentos, arrepiando todo meu corpo e intensificando meu choro incessante.
Hoje sei que foi, apenas, uma forma de despedida.

Por Universo das Palavras
Fonte: Google Images


sábado, 8 de março de 2014

Recordações

Lembranças...
Consomem minha mente
Que desliga devagar e silenciosa,
Sem medo do que possa acontecer.

Momentos que se foram,
Pessoas que passaram
Vidas que surgiram,
Outras que ficaram.

O tempo esconde mágoas,
Apresenta novas aventuras
E desfoca o lúcido e doloroso,
Que às vezes retorna e ainda dói (com menos intensidade).

Kronos, o ‘deus’ do tempo
Acorda toda manhã
E nos lembra que a vida está passando,
E precisamos andar juntos dela.

Sábio aquele que aproveita cada segundo vital,
Abre os olhos ao acordar e sorri,
Agradecendo por mais um dia,
E continua a viver, um dia de cada vez.

Sábio daquele, que faz dos momentos
A construção da felicidade,
E continua, unido a Kronos

Lutando para recordar,
Trazendo à tona, as mais detalhadas e marcantes...
Lembranças.

Por Universo das Palavras
Foto: Google Images

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Consciência Negra

Não é a cor que faz o homem.
Não são as cotas, que extinguem o preconceito.
Não é a piedade que dignifica o Negro.
É a igualdade tratada com respeito.

Por Universo das Palavras

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sensação

Na imensidão do paraíso
O infinito me faz pensar
No que une o compromisso
Entre Terra, o Céu, a Água e o Ar.

Por Universo das Palavras
Foto: Google Images

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Gosto de chuva

Cícero era um rapaz muito elegante, dono de uma empresa conceituada em sua região. Um chefe flexível e sorridente, compreensivo com seus funcionários e muito bonito. Alto, porte atlético, sorriso largo, cabelos escuros e curtos, sempre muito bem arrumado. Cícero vivia bem vestido, com roupas sociais. Porém tinha um enorme defeito: um “Super Ego”. Orgulho era seu segundo nome. Vivia contando vantagem sobre tudo. Sua casa era melhor, seu trabalho era o melhor, tudo que fazia era melhor que o outro. Todas as vezes que alguém de uma classe “inferior” lhe dirigia a palavra, ele ignorava, como se não estivesse ouvindo, o que revoltava muita gente. Um belo dia, o elegante rapaz foi interrompido por uma senhora que lhe oferecia salgados. A mulher um pouco mais velha foi insistente e enquanto não conseguiu a atenção do vital homem não parou de insistir. Cícero com toda sua arrogância e orgulho, olhou com desprezo à senhora e disse que o que ela vendia não era plausível a alguém de porte como ele e continuou sua caminhada. Se passado 20 anos, o forte rapaz e totalmente seguro de si, já não existia mais. Cícero perdera sua empresa em uma jogatina e caiu em lamúria, vivia de lamentações, entretanto continuava com o orgulho de sempre. Uma noite ao sair de um bar, incrivelmente bêbado encontrou a mesma mulher dos salgados, que agora já arrastava os pés pela calçada por conta da idade avançada. Ao avistá-la, Cícero caiu em gargalhadas, referindo-a como alguém sem valor algum. Ao apontar à senhora, tropeçou e caiu em frente ao bar que acabara de sair, não conseguindo levantar do local - devido ao alto consumo de álcool -, continuou a gargalhar. Olhando para cima, Cícero enxergou alguns furos na cobertura externa do local. A chuva caía lentamente como de costume naquela época do ano e, de repente, enquanto Cícero observa as goteiras caírem, uma gota cai dentro de sua boca, descendo pela garganta junto com o orgulho que ali jaz. Ao lado, a senhora – motivo de toda euforia – fica a observar. O homem engasga com a minúscula gota de chuva e com o álcool que corre por suas veias e embaça seus olhos. Cícero morre ali, implorando por ajuda. A natureza apaga de vez o orgulho e a arrogância do que foi um dia um grande empresário. Acaba, ali mesmo, na frente de um mísero bar, Cícero, afogado pelo próprio ego. Ao concretizar a cena, a mulher continua sua longa caminhada, com o guarda-chuva preto arrastando-se pela calçada e a multidão que ajuntou-se voltam à suas vidas, como se nada tivesse acontecido.

Por Universo das Palavras
Fotos: Google Images




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